Poluição luminosa – problema para os astrónomos

Céu noturno
Crédito: ESO/A. Fitzsimmons

A poluição luminosa é um dos maiores problemas para aqueles que querem observar os mais variados objetos celestes que preenchem o céu noturno. Devido a este tipo de poluição, o céu noturno deixa de ser escuro, e os objetos celestes menos luminosos ficam muito mais difíceis de serem observados.

A poluição luminosa tem sua origem principalmente na iluminação pública dos centros urbanos, tais como candeeiros e anúncios luminosos. Como é evidente, a iluminação pública é fundamental nos dias de hoje e não a podemos dispensar. Porém a iluminação pode ser utilizada de forma mais eficiente e de forma a poluir menos o céu noturno.

No caso dos candeeiros, o ideal seria que estes apenas iluminassem o solo, onde a luz é realmente necessária, em vez de se desperdiçar luz para cima onde ela não é necessária. Existem locais onde isso é levado em conta, onde os candeeiros funcionam realmente dessa forma, projetando luz apenas para baixo. Porém os municípios na generalidade ainda não estão devidamente sensibilizados para este problema, sendo que vemos ainda muitos candeeiros a irradir luz tanto para baixo como para cima, significando isso desperdício de energia e um céu com muita poluição luminosa.

Por causa deste problema, em 1988 foi fundada um associação norte-americana sem fins lucrativos, que tem como objetivo alertar para este assunto. Trata-se da International Dark-Sky Association: http://darksky.org/.

Devido à poluição luminosa, nos grandes centros urbanos apenas são visíveis a olho nu os objetos celestes com maior brilho. A poluição luminosa também afeta bastante a observação por intermédio de um telescópio, impedindo a observação em boas condições de um grande número de objetos celestes interessantes, como é o caso dos chamados objetos do céu profundo (por exemplo, nebulosas e galáxias). Nas regiões um pouco mais afastadas dos centros urbanos, o céu apresenta melhor qualidade para observação, pois é menos afetado pela poluição luminosa. Apesar disso é muito difícil nos dias atuais encontrarmos locais onde o céu esteja mesmo em excelentes condições de observação.

O problema de observar o céu com um telescópio numa região com muita poluição luminosa, pode ser minimizada significativamente com o recurso a uns filtros específicos para o efeito. Filtros esses que podem ser comprados em lojas da especialidade. Porém esta é apenas uma solução de recurso, e não a solução ideal.

Para além disso, a luz que vem diretamente da iluminação pública e que incide no telescópio, impede a necessária adaptação dos olhos do observador à obscuridade, para além de dificultar a sua concentração no objeto que pretende observar. Para minimizar este aspeto, pode utilizar a mão para fazer sombra na ocular, ou utilizar outro meio que faça sombra de forma a que a luz não incida diretamente no telescópio.

Resumindo e concluindo, a iluminação pública noturna é indispensável na sociedade atual. Porém é possível serem aplicadas medidas que visem simultaneamente a poupança de energia elétrica e proporcionar um céu noturno com menos poluição luminosa. Observar um céu noturno cheio de estrelas é um direito não só dos astrónomos amadores e profissionais, mas de todas as pessoas!

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Constelação de Órion
Constelação de Órion vista a partir de um céu escuro (lado esquerdo). A mesma constelação vista a partir de um céu de um centro urbano (lado direito). Crédito: Jeremy Stanley.